|
A
ESFINGE E AS CÂMARAS SECRETAS “A PALAVRA É TEMPO, O SILÊNCIO A ETERNIDADE”. MAURICE MAETERLINCK
2 0 0 0 - 3 3 5 3 Afirma-se
que no Antigo Egito, sob a Esfinge de Gizé,
existia um templo ao qual somente os “iniciados”
de algumas Escolas de Mistério tinham permissão de visitar. Era naquele
templo que estavam guardados o imenso cabedal de conhecimentos legados
por Thot[1].
Uma parte daquele templo era especialmente dedicado
aos chamados “Princípios Herméticos”. Tehuti[2], escriba dos Deuses, inventor da
escrita. Thoth arquiteto das Grandes Pirâmides. Alguns papiros referem que Thoth foi o arquiteto
das Grandes Pirâmides de Gizé, e que sob elas
foi construído um sistema de túneis que levavam a um templo situado
sob a esfinge, e cuja entrada localizava-se entre as suas patas. Podemos
dizer que essa referência apenas serve como despistamento
para a verdadeira localização do templo, e que somente aos “iniciados”
de maior grau era dado o conhecimento exato do local do precioso santuário.
Embora a arqueologia haja encontrado indícios de uma entrada entre as
patas da esfinge na verdade ela não corresponde àquela que leva ao templo. Relembremos o que já estudamos
em outra palestra a fim de fixarmos mais detalhes. O templo a que nos
referimos tem o nome de “Templo da Esfinge”, o santuário onde os escritos
de Thot estão depositados, e que totalizam mais de cem mil papiros,
além da tábua de esmeralda correspondentes aos chamados Princípios Herméticos.
Conforme diz a Tradição, a verdadeira história da criação foi gravada
em lâminas de esmeralda e que apenas uma delas foi encontrada, as demais
só virão a sê-lo no momento oportuno. Contudo, embora esses documentos
continuem guardados no “Templo da Esfinge”, ainda assim eles sempre
puderam ser vistos pelos Iniciados como um portal aberto para
a verdade antiga.[3]
Os túneis, corredores subterrâneos, que levam às câmaras onde estão guardadas as “tábuas esmeraldinas” são em número de doze que se ramificam em diversas direções. Diz a Tradição
que durante a Civilização Egípcia o Iniciado seguia cada um dos corredores
e no fim de cada um deles encontrava uma “tábua de esmeralda”, que era
decifrada e cujos ensinamentos deveriam ser bem aprendidos. Com certo
esforço, o iniciando decifrava a mensagem e aprendia as lições nela
contida. Após decifrar as doze tábuas então, Thot
aparecia ao Iniciando. Maat e Thoth! Dois
Mestres do coração de Atlantis. Tomar conhecimento
sobre a verdade no tocante a Creação constituía
um grande sofrimento para o Iniciando. Depois de sair das Câmaras Interiores,
um Hierofante dizia ao Iniciando: “Agora conheces a verdade, teu
semblante reflete dor, foste tu que a buscaste, mas não te aflijas,
é pela dor[4]
da verdade que se chega à libertação”. Era um caminho
sem volta, aquele que tomava conhecimento da verdade jamais voltava
a ser o mesmo que antes. Daí gerou-se o enigma da esfinge: “Decifra-me ou te devorarei...”. A esfinge
sempre foi considerada símbolo do mistério exatamente porque no Templo
está guardado todo o conhecimento essencial da Creação,
assim como o seu propósito que serve de resposta para o grande mistério
do “quem somos, de onde viemos
e para onde vamos”. Essa indagação deixa de ser mistério para o “Peregrino da Senda”. Com o declínio da Civilização Egípcia, o Templo da Esfinge, com o tempo, foi sendo soterrado pela areia do deserto e o povo acabou por ignorar a sua existência, e as iniciações antes ali praticadas diretamente deixaram de sê-lo. Podemos afirmar que o templo dos Mistérios Herméticos existiu e ainda existe, relaciona-se com a Esfinge, mas na verdade somente a Hierarquia da Ordem Hermética tem ciência de sua localização exata assim como do acesso ao seu interior. Neste caso a própria esfinge nada mais é do que um marco, um símbolo do verdadeiro templo que jaz sob as areias do deserto, talvez bem distante da esfinge. Entrando por um portal que dizem existir entre as patas da esfinge chega-se apenas a um pequeno santuário, que na verdade tem a ver com o grande templo. Durante muitos séculos acreditou-se existir apenas Sete Princípios Herméticos e sete câmaras no templo, mas hoje a Tradição liberou esse segredo. Os Princípios são mais do que sete. Revistas, livros e mesmo um orientador do Hermetismo podem dissertar sobre os Sete Princípios Herméticos, mas não devem revelar precisamente quais são os restantes. Estes necessariamente têm que ser descobertos pelo discípulo. A não revelação direta dos princípios complementares não indica um sentido de simples segredo. Trata-se de uma forma de exercitar a mente do discípulo afim de que ela se torne apta para entender os novos conhecimentos que advirão. Por isto é de suma importância que eles sejam descobertos e não simplesmente revelados. Somente um discípulo que examine bem os 7 princípios básicos consegue descobrir os outros, o que é de capital importância no desenvolvimento psíquico. Se não houver esse esforço a mente do discípulo perde a grande oportunidade de um se “abrir” para os mistérios maiores. Aquele que revela os outros princípios comete o erro de prejudicar, ao menos dificultar muito, o desenvolvimento mental do discípulo. Possivelmente dentro de pouco tempo todos os princípios serão descritos nas publicações esotéricas e mesmo exotéricas, como aconteceu com os 7 princípios clássicos. No passado eles não eram mencionados diretamente, todos tinham que ser descobertos pelo discípulo ao qual apenas era dito que existiam um certo número de princípios básicos, pilares da creação e manutenção do universo imanente, a respeito do que ele deveria dedicação de direcionar a sua busca. É importante que se diga que tudo o que existe em termos de descrições apresentada em publicações sobre os Princípios Herméticos são simples “migalhas” se comparadas com o que cada um deles contém. Cada um dos princípios encerra conteúdo para um volumoso livro, ou quiçá bem mais. Na verdade o que se tem revelado serve apenas como “isca” para atrair as pessoas interessadas no conhecimento da natureza íntima do universo.
[1] Impropriamente chamados de Hermes [2] Tehuti era um dos nomes oficiais do Deus Thoth. [3] Acreditamos que somente os Iniciados que atingiram os mais elevados graus podem ter acesso a tais documentos, enquanto os demais os recebem proporcionalmente através de algumas Ordens iniciáticas autênticas ligadas à Tradição. [4] Por esta razão o titulo do discípulo do Primeiro Grau corresponde em diversas línguas: Aquele que busca a dor. Em português: “Buscador da Senda”. |